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terça-feira, 14 de julho de 2015

Peixe








Notícias 
tão
banais

Como

a certa manhã
um morto
morto
em  
minha cama

Não era
eu
acredito

parecia comigo

tinha asas amarelas

de desejos
que se foram

Tinha um gosto
esquisito

no caminho
que
fez o
sangue

esparramando
o
lençol

com tampas 
de pedraria

destas que
se veêm
em geladeiras
no céu

Tinha anzóis
pendurados no pescoço
mas era
um moço

morto

que nem eu

que fui
ao banheiro
peguei a
navalha
e tracei
um arco
no espaço

tentando cortar
o que acho
que devia
ao barbeiro

De sangue
saudei
a chuva
do inverno

pois sangue no inverno

caindo em gotas
na neve

tráz a lembrança
suave

de noites
de frio



Então a notícias
se expos

nua e crua

verdadeira
e inteira

nos pés
da rua

ao lado

do 
jornal
enrolado
no peixe
que comeu o anzol