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sexta-feira, 30 de maio de 2014

O nada

  

A vida é um nada
uma carcaça incoerente
ditando inocente
o que devemos fazer

A ter que morrer
do nada

neste inverno

a ter que viver
no nada

neste verão

Renascer

brotar

morrer

de estação em estação

comendo
a si próprio

do infinito longe

ao infinito
perto

Estou com fome
diz  distante

e distante
é aprazível

sente o mel da abelha

pousando no céu

escuro de maio

antes do outono que se vai

A vida segue

assim
de leve

do nada aparece

viva e perene

ausente

no firme aumento

do parente
que se foi

A morte segue
este fim

És como causa
de morrer
distante

Sem palavras para contar

medito sobre isto tudo

sobre o que vem e vai

sobre o que sobe e desce

reagindo às marés
mares de abril

aos fogos
de anil

dos montes verídicos

distantes

desta terra

imagine

pondera

sobre o triste fim

da vida eterna

sobre o fim 
do gigante

amado e distante

O que enfim
acontece
e devanece no ar?

Para muitos não o nada

Para todos

as vezes o ser

contudo

se esvai no absurdo

da vida gigante

que nada

no nada