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quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Eu penso






 Foto: SPL







Estou
estrangeiro
neste planeta

Coitado de mim
de macaco
ao fim

De Medusa
com grandes
cachos
de
sóliso marfim

ao além do
que sentem por mim

Fui na espécie errada
esta marca 
de estrada
de caminho sem
fim

estou muito atento
ao que
me lembro
de poder 
ser mais
um que
se apaga
dentro
do fogo

que morre
afogado

Este não,
sem sombra de dúvida
vai viver para sempre

e eu não viverei para sempre
serei de aluguel
uma peça no museu
de arte final
do
criador

























rrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr











quarta-feira, 2 de setembro de 2015













 




 Eu pedi
à vida
que me
desse comida

de variadas formas
e fornos
para aquecer
o alimento

Não me formei

não me fiz
doutor
como ouros

nada pude
entender

daquilo tudo
que passou

era objetivo

queria agora

e não 
me arrependo

A vida

me trouxe pão
e ilusão

trouxe vaga
lembrança
daquilo
em que espero

no lugar eterno


Não sinto

porque só eu
existo
em mim

Sózinho
nem sempre
e pior
que estar indiferente
frente
ao túmulo
que me aguarda

Sinto que fugi

e sei
que não vou
voltar
a tratar
deste assunto
deprimente
que é a 
coisa mais linda
que tenho












quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Palmira






Destruição de templo em Palmira na Síria é “crime de guerra”, diz Unesco











Estive
em ruínas
todos estes anos

Olhavam 
para mim
admiravam
me

Então fui descoberta
pelos capuzes negros

Voltaram-se
sobre mim

desnudaram meu
santuário

Fizeram uma feira
com meus
adereços
meus pequenos detalhes
entalhes

Cortaram tudo
de tudo tiraram
o que era de mim

E fui estuprada por
desdém
de quem acredita
num Deus
como eu acreditara

Morri

explodiram-me

e nada sobrou

Nunca antes
vivi
como agora
entulho jogado fora

peças vendidas por mercadores

e onde estão os
que me amavam?

Onde os que preservaram meu santuário?

Morta morta


Sou esquecida em um noticiário

e aqueles que
me mataram

Que a vingança do Deus
caia sobre eles

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Maldivas






Islas Maldivas - 55434









Entre rios
entranhas
montanhas
de véus carregados
suados
do fardo

De descansar estrangeiros
que ligeiros
corrompem
esta fauna
humana
que se distancia
da ilha

de  qual
falo

Esta mesmo
que

esta no fundo

do orgasmo
 pacífico
mar
adentro

Entro

e me revelo

a esmo

no desejo

que tenho
de fotografar

o que vejo

no queixo
da minha linda
e enfadonha
vida
vivida

Banida
a vida
aqui esta
o que
mais trago
a oferta 
deste trago

bebido gelado

do lado

da cadeira
no
fim
da vida

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Véu









Eu te encontro
fechada
entre
os bosques

Em capitéis
dourados
de seres
em tal
estado
que diria eu
que já morreram

Entre estes
o que me
chama a
a atenção
são
o de
lírios
defuntos
de mortos
em guerras

Estes sim
quiseram
algo
disseram algo
que não ouso dizer

Estão alí
naqueles
túmulos
entre lírios
e figueiras
e salvas

Estão
salvas
de morrer
de novo

Já se foram


E colocaram
neste mundo
um perfume
de alguém
que de ter nascido
disto

de alvenaria
destruida
de fogueira crepitante

enigma
de uma tarde
distante

de  forma vazia
alternada
com o nada
alterada

ao ter nada
nada

terça-feira, 14 de julho de 2015

Peixe








Notícias 
tão
banais

Como

a certa manhã
um morto
morto
em  
minha cama

Não era
eu
acredito

parecia comigo

tinha asas amarelas

de desejos
que se foram

Tinha um gosto
esquisito

no caminho
que
fez o
sangue

esparramando
o
lençol

com tampas 
de pedraria

destas que
se veêm
em geladeiras
no céu

Tinha anzóis
pendurados no pescoço
mas era
um moço

morto

que nem eu

que fui
ao banheiro
peguei a
navalha
e tracei
um arco
no espaço

tentando cortar
o que acho
que devia
ao barbeiro

De sangue
saudei
a chuva
do inverno

pois sangue no inverno

caindo em gotas
na neve

tráz a lembrança
suave

de noites
de frio



Então a notícias
se expos

nua e crua

verdadeira
e inteira

nos pés
da rua

ao lado

do 
jornal
enrolado
no peixe
que comeu o anzol