CASTELOS NA AREIA
Verão, férias escolares.
David acordou.
Naquele dia tão especial algo marcante precisava ser feito.
Algo que ele guardasse para sempre, que mostrasse aos outros o quanto de sua inteligência de engenheiro era capaz.
Ao sair da cama antes do café já havia arquitetado todo o plano.
Decidido, construiria o Castelo. Não um castelo, mas “O Castelo”.
O maior castelo já feito em toda a sua vida.
A praia o chamava. Às oito horas posse ao trabalho.
A pá, o balde, os soldadinhos reunidos, todos receberam suas ordens.
Juntos, sobre seu reino escavaram os alicerces.
Não muito longe das águas por estar seco,
Não muito perto.
para que o mar, à distância,
contemplasse sua obra.
Ploc, Ploc, Ploc .
Caindo, as gotas de areia molhada e salgada há formar o Castelo.
Torres altaneiras, com suas donzelas e Barões. Um fosso, outro mais.
Mais muralhas, mais donzelas e Barões.
Torres com guardas cuidando o Castelo, e bandeirolas apontando para o Infinito.
Mais torres, mais guardas e estandartes.
No páteo, os gritos dos cavalariços e pajens.
Campeões afiando suas espadas e trocando golpes para se exercitarem.
Relincho dos corcéis de guerra, com seus cavaleiros montados, a postos para as batalhas!
No sol a pino do meio dia era o maior Castelo do Universo.
Ninguém haveria de construir algo tão grandioso!
Comeu seu banquete feliz, realizado com a obra de suas mãos triunfantes.
Os que passavam na praia observavam aquela maravilha, admirados com o poder do Rei.
Então, ao meio da tarde, a maré.
As ondas batiam e espumavam como hordas de bárbaros,
lentamente se aproximando de seus domínios de criança.
David lutou com todas as forças contra aquele Golias.
Para detê-los seus guardas cavaram mais fossos, mais torres, mais areia.
Em cada bravo de seu exército duas mãos fortes combatiam a ruína.
Ao por do sol sua Mãe veio chamá-lo.
Cansado, David entregou-se e deixou o campo de batalha.
No último olhar para trás,
Ao cair da derradeira torre,
seu castelo deixou de existir.
Não mais Soldados, não mais Barões.
Não mais Princesas nem Dragões.
Na orla do mar,
um imenso monte de areia amorfa
lentamente se dissolvendo no retorno à matéria inerte,
destituída de sonhos.
Seu coração constrangeu-se ante aquele momento.
Algo que não podia explicar.
A Eternidade carregando sua infância.
Era seu aniversário.
Tinha então onze anos.
Ernesto Lima
sábado, 7 de agosto de 2010
terça-feira, 9 de março de 2010
Britânico salva pelotão ao lançar de volta granada jogada por talebãs
Um soldado britânico salvou sua própria vida e a de dois companheiros de pelotão ao pegar do chão e atirar de volta uma granada lançada contra eles por combatentes talebãs, na cidade afegã de Sangin.
Em entrevista à repórter da BBC Caroline Wyatt, o fuzileiro James McKie contou que no último dia 3 de março estava sobre um estreito telhado em Sangin, junto aos dois outros membros de seu pelotão, se protegendo dos tiros disparados pelos combatentes talebãs.
O militar britânico de 29 anos havia acabado de atirar contra os inimigos quando uma granada jogada pelos insurgentes passou pelo seu comandante e caiu a 30 centímetros de seus pés.
O jovem soldado, nascido na Nova Zelândia, tomou a decisão em uma fração de segundo de salvar sua vida e as daqueles dois companheiros que estavam no telhado. Ele pegou a granada e a lançou de volta.
"Eu vi a granada, e meu primeiro pensamento foi que sabia que teria de tirá-la de perto de nós. E meu segundo foi 'eu só espero que isso não doa muito'"
Fuzileiro James McKie
"Eu vi a granada, e meu primeiro pensamento foi que sabia que teria de tirá-la de perto de nós. E meu segundo foi 'eu só espero que isso não doa muito'", narra o soldado, com um sorriso tímido no rosto, à repórter da BBC Caroline Wyatt.
"Quando eu peguei a granada, meus pensamentos estavam com os outros que estavam comigo - o capitão Graeme Kerr e o soldado Holtman", comentou.
"Nós havíamos perdido o cabo Green no dia anterior. Eu não queria passar por aquilo de novo, e não estava preparado para ver outro companheiro do nosso pelotão se ferir. Eu preferia que acontecesse comigo do que com outra pessoa. Então, me joguei em direção à granada e a lancei para fora do telhado", narrou à BBC.
Amigos perdidos
No combate do dia 3 de março, o capitão Kerr teve uma das pernas ferida por estilhaços. O fuzileiro McKie e seu companheiro conseguiram carregá-lo para fora do telhado, juntamente com sua metralhadora. Enquanto isso, mesmo ferido, o capitão continuava se comunicando com o resto da unidade pelo rádio, em busca de uma forma de chegarem à base para escapar dos tiros.
Extraordinariamente, os únicos ferimentos que o soldado sofreu naquele dia foram arranhões no braço e no rosto causados por estilhaços. Dois curativos em sua bochecha esquerda são as marcas mais visíveis daquele dia.
Ele insistiu em permanecer com sua unidade e seguir com seu trabalho, até que seu comandante lhe ordenou que fosse buscar atendimento médico na base.
Ao longo dos últimos seis meses de conflito com o Talebã, ele e seus colegas já tiveram de lidar com as mortes de diversos amigos próximos.
"Eu gostaria de poder dizer que fica mais fácil com o tempo. Meu pelotão de reconhecimento já teve quatro mortos e eu sou o oitavo ferido", conta McKie.
"É o equivalente aos óbitos de uma companhia inteira em apenas um pelotão. Mas você segue em frente. É realmente bom quando você tem todos à sua volta. Quando o time está junto é como se nada pudesse tocar você".
"Você adquiri esse estranho sentimento de que quando voltar para a Grã-Bretanha, eles ainda estarão lá e vão entrar pela sua porta. É como se eles não tivessem realmente partido. Mas quando você está sozinho, é horrível. Aí você sabe que eles se foram mesmo."
Fuzileiro James McKie
"Você adquire esse estranho sentimento de que quando voltar para a Grã-Bretanha, eles ainda estarão lá e vão entrar pela sua porta. É como se eles não tivessem realmente partido. Mas quando você está sozinho, é horrível. Aí você sabe que eles se foram mesmo", conta o soldado em voz baixa.
Pronto para voltar
O fuzileiro McKie está no Exército britânico há apenas um ano, mas seus fuzis enfrentaram em apenas seis meses o equivalente a uma vida de trabalho militar.
Agora ele está a apenas três semanas de encerrar sua jornada no Afeganistão, mas já está ansioso para voltar a Sangin depois de retornar ao seu país, para se juntar novamente aos seus amigos e continuar o trabalho deles.
por que me chamou a atenção? Por que?________________________________________
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2010/03/100309
Um soldado britânico salvou sua própria vida e a de dois companheiros de pelotão ao pegar do chão e atirar de volta uma granada lançada contra eles por combatentes talebãs, na cidade afegã de Sangin.
Em entrevista à repórter da BBC Caroline Wyatt, o fuzileiro James McKie contou que no último dia 3 de março estava sobre um estreito telhado em Sangin, junto aos dois outros membros de seu pelotão, se protegendo dos tiros disparados pelos combatentes talebãs.
O militar britânico de 29 anos havia acabado de atirar contra os inimigos quando uma granada jogada pelos insurgentes passou pelo seu comandante e caiu a 30 centímetros de seus pés.
O jovem soldado, nascido na Nova Zelândia, tomou a decisão em uma fração de segundo de salvar sua vida e as daqueles dois companheiros que estavam no telhado. Ele pegou a granada e a lançou de volta.
"Eu vi a granada, e meu primeiro pensamento foi que sabia que teria de tirá-la de perto de nós. E meu segundo foi 'eu só espero que isso não doa muito'"
Fuzileiro James McKie
"Eu vi a granada, e meu primeiro pensamento foi que sabia que teria de tirá-la de perto de nós. E meu segundo foi 'eu só espero que isso não doa muito'", narra o soldado, com um sorriso tímido no rosto, à repórter da BBC Caroline Wyatt.
"Quando eu peguei a granada, meus pensamentos estavam com os outros que estavam comigo - o capitão Graeme Kerr e o soldado Holtman", comentou.
"Nós havíamos perdido o cabo Green no dia anterior. Eu não queria passar por aquilo de novo, e não estava preparado para ver outro companheiro do nosso pelotão se ferir. Eu preferia que acontecesse comigo do que com outra pessoa. Então, me joguei em direção à granada e a lancei para fora do telhado", narrou à BBC.
Amigos perdidos
No combate do dia 3 de março, o capitão Kerr teve uma das pernas ferida por estilhaços. O fuzileiro McKie e seu companheiro conseguiram carregá-lo para fora do telhado, juntamente com sua metralhadora. Enquanto isso, mesmo ferido, o capitão continuava se comunicando com o resto da unidade pelo rádio, em busca de uma forma de chegarem à base para escapar dos tiros.
Extraordinariamente, os únicos ferimentos que o soldado sofreu naquele dia foram arranhões no braço e no rosto causados por estilhaços. Dois curativos em sua bochecha esquerda são as marcas mais visíveis daquele dia.
Ele insistiu em permanecer com sua unidade e seguir com seu trabalho, até que seu comandante lhe ordenou que fosse buscar atendimento médico na base.
Ao longo dos últimos seis meses de conflito com o Talebã, ele e seus colegas já tiveram de lidar com as mortes de diversos amigos próximos.
"Eu gostaria de poder dizer que fica mais fácil com o tempo. Meu pelotão de reconhecimento já teve quatro mortos e eu sou o oitavo ferido", conta McKie.
"É o equivalente aos óbitos de uma companhia inteira em apenas um pelotão. Mas você segue em frente. É realmente bom quando você tem todos à sua volta. Quando o time está junto é como se nada pudesse tocar você".
"Você adquiri esse estranho sentimento de que quando voltar para a Grã-Bretanha, eles ainda estarão lá e vão entrar pela sua porta. É como se eles não tivessem realmente partido. Mas quando você está sozinho, é horrível. Aí você sabe que eles se foram mesmo."
Fuzileiro James McKie
"Você adquire esse estranho sentimento de que quando voltar para a Grã-Bretanha, eles ainda estarão lá e vão entrar pela sua porta. É como se eles não tivessem realmente partido. Mas quando você está sozinho, é horrível. Aí você sabe que eles se foram mesmo", conta o soldado em voz baixa.
Pronto para voltar
O fuzileiro McKie está no Exército britânico há apenas um ano, mas seus fuzis enfrentaram em apenas seis meses o equivalente a uma vida de trabalho militar.
Agora ele está a apenas três semanas de encerrar sua jornada no Afeganistão, mas já está ansioso para voltar a Sangin depois de retornar ao seu país, para se juntar novamente aos seus amigos e continuar o trabalho deles.
por que me chamou a atenção? Por que?________________________________________
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2010/03/100309
segunda-feira, 8 de março de 2010
A presença
Nehum de nós se encontra sózinho neste momento.
por onde quer que nossos olhos vaguem encontramos sinais da presença.
A presença é muito importante e deve ser notada.
A presença encontra-se neste momento aqui entre nós, e se manifesta no mesmo momento em que nos colocamos alertas para percebê-la.
Ela está.
Está sempre aqui entre nós,
nos tornando unidos com o que é terno e totalizante.
Ela é.
É sempre a forma como nós a identificamos, como nós a reconhecemos e trocamos.
Mantendo sempre o maior contato possível.
A presença se move junto conosco para todos os lugares.
Como a sombra, mas muito mais do que isto.
Como a luz do Sol e da Lua,
que promovem a existência da sombra que nos acompanha.
Olhando ao redor temos muitas maneiras de identificá-la.
Olhando ao redor, e em uma espiral, voltando os olhos para o centro onde nos encontramos.
A presença envolve a espiral, o centro e a elevação da espiral,
em rotação e alargamento do giro
a partir do momento e existência central.
Estou aqui, em giro espiral contínuo e elevatório.
Giroscópicamente equilibrando-me neste movimento contínuo,
que abarca os movimentos da minha pessoa, da terra, do sistema solar,
da Galáxia e da expansão do Universo.
A presença move-se por todos estes caminhos, em todos estes caminhos.
E continua expandindo-se e alimentando o maravilhoso espaço e tempo
criado pela sua presença.
Sem ausência, nunca.
por onde quer que nossos olhos vaguem encontramos sinais da presença.
A presença é muito importante e deve ser notada.
A presença encontra-se neste momento aqui entre nós, e se manifesta no mesmo momento em que nos colocamos alertas para percebê-la.
Ela está.
Está sempre aqui entre nós,
nos tornando unidos com o que é terno e totalizante.
Ela é.
É sempre a forma como nós a identificamos, como nós a reconhecemos e trocamos.
Mantendo sempre o maior contato possível.
A presença se move junto conosco para todos os lugares.
Como a sombra, mas muito mais do que isto.
Como a luz do Sol e da Lua,
que promovem a existência da sombra que nos acompanha.
Olhando ao redor temos muitas maneiras de identificá-la.
Olhando ao redor, e em uma espiral, voltando os olhos para o centro onde nos encontramos.
A presença envolve a espiral, o centro e a elevação da espiral,
em rotação e alargamento do giro
a partir do momento e existência central.
Estou aqui, em giro espiral contínuo e elevatório.
Giroscópicamente equilibrando-me neste movimento contínuo,
que abarca os movimentos da minha pessoa, da terra, do sistema solar,
da Galáxia e da expansão do Universo.
A presença move-se por todos estes caminhos, em todos estes caminhos.
E continua expandindo-se e alimentando o maravilhoso espaço e tempo
criado pela sua presença.
Sem ausência, nunca.
sábado, 6 de fevereiro de 2010
Fortaleza
Lenta e deliberadamente me introduzo na fortaleza.
Sonolentos, os guardas nem parecem notar este vulto que passa por entre as grades, e se encaminha para o mesmo lugar onde outrora estivera.
Estou aqui novamente.
Vi o céu estrelado fulgurando entre as árvores, na imensidão da planície.
Mas tudo o que percebia eram os gritos daqueles que deixei, encadeados, suplicantes, desfigurados.
Aqueles que ficaram para traz.
Lenta e deliberadamente me introduzo na fortaleza após minha fuga.
Sonolentos, os guardas não não percebem que retorno.
Vi belas e lindas montanhas, o ar limpo e fresco da manhã.
Tomei o leite oferecido por uma camponesa.
Mas o que ficava em meu coração era o odor fétido daquela pocilga, do miasma dos vários encarcerados, do restolho imundo jogado por sentinelas cruéis para satisfazer apenas seu prazer em nos manter vivos na agonia.
Olhei então para trás, e percebi que tudo aquilo que poderia trazer um sentido para meus camaradas só o meu testemunho poderia dar.
Retornando a prisão eles poderiam se alegrar com os relatos dos campos,
das imensas florestas que vi, da delicadeza das camponesas
e de como sussurravam sobre o fim próximo da tirania.
Tomei o rumo daquele lugar de tanto horror.
Esgueirei-me pelos corredores malditos até tomar meu lugar de outrora.
Sonolentos, os guardas nem notaram.
Agora estou aqui novamente.
A certeza das mais belas visões trazem alívio a meus camaradas.
Fico, e os levo a perceber o melhor estratagema para a fuga.
Aos poucos, um a um eles se evadem,
seguindo a mesma trilha por entre os muros,
que percorri para longe desta fortaleza.
Integram a multidão lá fora ,que pouco a pouco trama a queda do tirano.
Eu, por mim, estou aliviado. Serei o último quando as portas e os muros forem derrubados e a libertação existir de fato para todo este povo.
Poderia ter me contentado com minha boa sorte de descobrir o caminho,
e deixar para trás todos eles.
Mas então, de que valeria a liberdade?
Assim, aqui me alimento dos mesmos restos e respiro o mesmo ar pestilento.
Dentro de mim, para aqueles quem me ouvem, falo da verdadeira
alegria de ter saboreado a liberdade, da esperança de reconquistá-la .
Os guardas nunca compreenderiam.
Os guardas...
Sonolentos os guardas não percebem...
Sonolentos, os guardas nem parecem notar este vulto que passa por entre as grades, e se encaminha para o mesmo lugar onde outrora estivera.
Estou aqui novamente.
Vi o céu estrelado fulgurando entre as árvores, na imensidão da planície.
Mas tudo o que percebia eram os gritos daqueles que deixei, encadeados, suplicantes, desfigurados.
Aqueles que ficaram para traz.
Lenta e deliberadamente me introduzo na fortaleza após minha fuga.
Sonolentos, os guardas não não percebem que retorno.
Vi belas e lindas montanhas, o ar limpo e fresco da manhã.
Tomei o leite oferecido por uma camponesa.
Mas o que ficava em meu coração era o odor fétido daquela pocilga, do miasma dos vários encarcerados, do restolho imundo jogado por sentinelas cruéis para satisfazer apenas seu prazer em nos manter vivos na agonia.
Olhei então para trás, e percebi que tudo aquilo que poderia trazer um sentido para meus camaradas só o meu testemunho poderia dar.
Retornando a prisão eles poderiam se alegrar com os relatos dos campos,
das imensas florestas que vi, da delicadeza das camponesas
e de como sussurravam sobre o fim próximo da tirania.
Tomei o rumo daquele lugar de tanto horror.
Esgueirei-me pelos corredores malditos até tomar meu lugar de outrora.
Sonolentos, os guardas nem notaram.
Agora estou aqui novamente.
A certeza das mais belas visões trazem alívio a meus camaradas.
Fico, e os levo a perceber o melhor estratagema para a fuga.
Aos poucos, um a um eles se evadem,
seguindo a mesma trilha por entre os muros,
que percorri para longe desta fortaleza.
Integram a multidão lá fora ,que pouco a pouco trama a queda do tirano.
Eu, por mim, estou aliviado. Serei o último quando as portas e os muros forem derrubados e a libertação existir de fato para todo este povo.
Poderia ter me contentado com minha boa sorte de descobrir o caminho,
e deixar para trás todos eles.
Mas então, de que valeria a liberdade?
Assim, aqui me alimento dos mesmos restos e respiro o mesmo ar pestilento.
Dentro de mim, para aqueles quem me ouvem, falo da verdadeira
alegria de ter saboreado a liberdade, da esperança de reconquistá-la .
Os guardas nunca compreenderiam.
Os guardas...
Sonolentos os guardas não percebem...
sábado, 12 de dezembro de 2009
Escotismo
Olá pessoal, Sempre Alerta!
Como todos vocês, acredito, tive um final de ano de outubro até agora
"fechando o balanço", numa correria danada.
Isto me deu uma desculpa, e tempo, para pensar um pouco sobre
escotismo, para ter alguma coisa a dizer para vocês.
De outubro para cá participei do ELO ( encontro regional de escoteiros), e logo depois participei do ALO(Acampamento
de Lobinhos do Oeste) em São Miguel do Oeste. No ELO minha função foi
chefe de tropa escoteira, no ALO minha função foi de pai-ajudante,
pois meus filhos são lobinhos.
É interessante perceber como duas funções distintas se completam nas
atividades do Escotismo.
Como chefe escoteiro no ELO participei de reuniões de chefia que
estruturaram as atividades já agendadas e durante as atividades
comandei (no sentido de estar presente com) 4 patrulhas de grupos
diferentes, orientado-os e encaminhando-os para as várias atividades.
Decididamente, depois de 3 anos fora do escotismo este primeiro
encontro foi duro para meu corpo. No primeiro dia tive que me ausentar
por 3 horas á tarde por pura estafa. Reestabelecido, no segundo dia
pude acompanhar todas as atividades, mas não aguentei, mesmo querendo,
ficar para o fogo de conselho, indo dormir antes do início.
Coloco isto como uma forma de dizer que cuidar de jovens é algo
bastante desgastante para pessoas como eu de 48 anos, ou mesmo o chefe
do grupo, que por ser o coordenador geral do ELO deveria ganhar uma
medalha só por ter sobrevivido.
Mas a emoção da canção de despedida, rever colegas antigos de outros
grupos, conhecer novos chefes e principalmente poder assistir (no
sentido de cuidar e observar) estes jovens é algo gratificante.
Por que é gratificante?
Vou fugir do script vago de definições. É simplesmente porque a gente
pode ter o privilégio de ver jovens se desenvolvendo e dando o melhor
de si em atividades e relacionamentos que me fazem lembrar um tempo
muito antigo, quase primitivo do tempo das cavernas, onde jovens eram
postos á prova e guiados por membros mais velhos da comunidade, em um
exercício de formação de identidade.
Quero dizer que não vi apenas a alegria do companheirismo. Vi o
esforço para a superação, o exercício de inteligência prática na
resolução de problemas de sobrevivência que eles são colocados à prova
nas atividades, na montagem e desmontagem de acampamento, no preparo
de sua própria alimentação e tantas coisas mais que acontecem em um
encontro como este.
Vi problemas surgirem e serem solucionados, num esforço conjunto que
passava do nível patrulha para o nível grupo para o nível coordenação
de encontro.
Vi pessoas de todas as idades em um local onde se encontraram para
exercitar mente e corpo. Em suma: para praticarem o Escotismo.
E, naturalmente tirei disto um pensamento sobre o Escotismo.
"Escotismo é a prática de atividades que ligam corpo e mente de
jovens, visando de forma indutiva (por trás de tudo) levar a situações
de vida que, podendo ou não gerar conflitos, são mediadas por uma
ordem, uma lei, uma hierarquia, levando o jovem a imprimir em sua
memória registros tão vivos dos problemas, conflitos, emoções e
soluções que vivenciaram, que elas ficam gravadas permanentemente em
sua memória pela vida a fora, estruturando seu modo de viver e suas
reações em sociedade."
Parece um pouco acadêmico, mas é porque eu sou psicólogo. É uma forma
de definir o Escotismo.
Agora, falando de minha experiência de pai-ajudante no ALO posso fazer
outra ligação.
No ALO não tive responsabilidades de chefia, não participei de
reuniões nem atividades. Minha função era estar lá e fazer o melhor
possível para ajudar.
Aí então juntamos chefe e pai.
Pai e Mãe são os que cuidam. Chefes escoteiros são a mesma coisa.
Como naquele momento não era chefe, mas continuava pai e escoteiro,
fiz o que pude para auxiliar.
Auxiliar para mim tem o significado de estar alerta para as
necessidades, e procurar ocupar o espaço que percebo estar vago, sendo
nescessário que alguém faça o trabalho para aliviar ao outro.
É um pensamento escoteiro também, e no ALO pude auxiliar dirigindo meu
carro na caravana de três automóveis que levou a Matilha e o material
para SMO.
Auxiliar foi perceber que na estrada a melhor posição para meu carro
era no meio, o que ajudou a alertar o chefe dafrente quando a tampa da
geladeira de isopor escapou das cordas do reboque de sua caminhonete,e
resgatá-la da estrada sem dano.
Auxiliar foi ficar acordado até as 2:30 horas, para que a Akelá
pudesse descansar melhor enquanto eu fazia a ronda e ainda ajudava um
chefe de outro grupo que precisava ficar de plantão devido a um
lobinho com sonâmbulismo, além de termos juntos, eu e a Akelá
resolvido o problema do zíper da barraca de nossos lobinhos, que tinha
estourado fazendo entrar mosquitos.
Auxiliar foi assumir desmontar as barracas sózinho, desafiando minha
própria idéia de que seria incapaz de fazê-lo, para estarmos mais
rapidamente prontos devido ao temporal que caiu naquele domingo.
E outras coisas que são as conversas e lembranças que fazem do
escotismo uma fonte de "causos" para rirmos depois.
Bem, ligando tudo isto
Para não cansar muito, o que pude perceber é que a melhor forma para
definir escotismo é praticá-lo.
Como todos vocês, acredito, tive um final de ano de outubro até agora
"fechando o balanço", numa correria danada.
Isto me deu uma desculpa, e tempo, para pensar um pouco sobre
escotismo, para ter alguma coisa a dizer para vocês.
De outubro para cá participei do ELO ( encontro regional de escoteiros), e logo depois participei do ALO(Acampamento
de Lobinhos do Oeste) em São Miguel do Oeste. No ELO minha função foi
chefe de tropa escoteira, no ALO minha função foi de pai-ajudante,
pois meus filhos são lobinhos.
É interessante perceber como duas funções distintas se completam nas
atividades do Escotismo.
Como chefe escoteiro no ELO participei de reuniões de chefia que
estruturaram as atividades já agendadas e durante as atividades
comandei (no sentido de estar presente com) 4 patrulhas de grupos
diferentes, orientado-os e encaminhando-os para as várias atividades.
Decididamente, depois de 3 anos fora do escotismo este primeiro
encontro foi duro para meu corpo. No primeiro dia tive que me ausentar
por 3 horas á tarde por pura estafa. Reestabelecido, no segundo dia
pude acompanhar todas as atividades, mas não aguentei, mesmo querendo,
ficar para o fogo de conselho, indo dormir antes do início.
Coloco isto como uma forma de dizer que cuidar de jovens é algo
bastante desgastante para pessoas como eu de 48 anos, ou mesmo o chefe
do grupo, que por ser o coordenador geral do ELO deveria ganhar uma
medalha só por ter sobrevivido.
Mas a emoção da canção de despedida, rever colegas antigos de outros
grupos, conhecer novos chefes e principalmente poder assistir (no
sentido de cuidar e observar) estes jovens é algo gratificante.
Por que é gratificante?
Vou fugir do script vago de definições. É simplesmente porque a gente
pode ter o privilégio de ver jovens se desenvolvendo e dando o melhor
de si em atividades e relacionamentos que me fazem lembrar um tempo
muito antigo, quase primitivo do tempo das cavernas, onde jovens eram
postos á prova e guiados por membros mais velhos da comunidade, em um
exercício de formação de identidade.
Quero dizer que não vi apenas a alegria do companheirismo. Vi o
esforço para a superação, o exercício de inteligência prática na
resolução de problemas de sobrevivência que eles são colocados à prova
nas atividades, na montagem e desmontagem de acampamento, no preparo
de sua própria alimentação e tantas coisas mais que acontecem em um
encontro como este.
Vi problemas surgirem e serem solucionados, num esforço conjunto que
passava do nível patrulha para o nível grupo para o nível coordenação
de encontro.
Vi pessoas de todas as idades em um local onde se encontraram para
exercitar mente e corpo. Em suma: para praticarem o Escotismo.
E, naturalmente tirei disto um pensamento sobre o Escotismo.
"Escotismo é a prática de atividades que ligam corpo e mente de
jovens, visando de forma indutiva (por trás de tudo) levar a situações
de vida que, podendo ou não gerar conflitos, são mediadas por uma
ordem, uma lei, uma hierarquia, levando o jovem a imprimir em sua
memória registros tão vivos dos problemas, conflitos, emoções e
soluções que vivenciaram, que elas ficam gravadas permanentemente em
sua memória pela vida a fora, estruturando seu modo de viver e suas
reações em sociedade."
Parece um pouco acadêmico, mas é porque eu sou psicólogo. É uma forma
de definir o Escotismo.
Agora, falando de minha experiência de pai-ajudante no ALO posso fazer
outra ligação.
No ALO não tive responsabilidades de chefia, não participei de
reuniões nem atividades. Minha função era estar lá e fazer o melhor
possível para ajudar.
Aí então juntamos chefe e pai.
Pai e Mãe são os que cuidam. Chefes escoteiros são a mesma coisa.
Como naquele momento não era chefe, mas continuava pai e escoteiro,
fiz o que pude para auxiliar.
Auxiliar para mim tem o significado de estar alerta para as
necessidades, e procurar ocupar o espaço que percebo estar vago, sendo
nescessário que alguém faça o trabalho para aliviar ao outro.
É um pensamento escoteiro também, e no ALO pude auxiliar dirigindo meu
carro na caravana de três automóveis que levou a Matilha e o material
para SMO.
Auxiliar foi perceber que na estrada a melhor posição para meu carro
era no meio, o que ajudou a alertar o chefe dafrente quando a tampa da
geladeira de isopor escapou das cordas do reboque de sua caminhonete,e
resgatá-la da estrada sem dano.
Auxiliar foi ficar acordado até as 2:30 horas, para que a Akelá
pudesse descansar melhor enquanto eu fazia a ronda e ainda ajudava um
chefe de outro grupo que precisava ficar de plantão devido a um
lobinho com sonâmbulismo, além de termos juntos, eu e a Akelá
resolvido o problema do zíper da barraca de nossos lobinhos, que tinha
estourado fazendo entrar mosquitos.
Auxiliar foi assumir desmontar as barracas sózinho, desafiando minha
própria idéia de que seria incapaz de fazê-lo, para estarmos mais
rapidamente prontos devido ao temporal que caiu naquele domingo.
E outras coisas que são as conversas e lembranças que fazem do
escotismo uma fonte de "causos" para rirmos depois.
Bem, ligando tudo isto
Para não cansar muito, o que pude perceber é que a melhor forma para
definir escotismo é praticá-lo.
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