sexta-feira, 20 de maio de 2016
quinta-feira, 5 de maio de 2016
Bowie
Não era minha voz
entre gemidos
oh oh
Cicatrizes desta era
gênero de usar
o que mais
Sei das desgraças
mas sou um palhaço
Dado
o instante
em que me fui
Foi digno
o enterro
que lindo
Meu erro
de mudar sempre
e sentir
na mente
a dor inumana
daqueles que sofrem
Oh oh
Sei dizer tanto
com minhas mãos
geladas
Entortadas
de mexer no mel
Também acho
que morri
Oh Oh
e deixei para
sempre
o salgado ácido
do doce
amargo
Eu sei
você
sabe
já não somos
mais humanos
É triste eu sei
hummm
Sei dizer o que sei
afazeres de maio
quarta-feira, 23 de setembro de 2015
Eu penso
Estou
estrangeiro
neste planeta
Coitado de mim
de macaco
ao fim
De Medusa
com grandes
cachos
de
sóliso marfim
ao além do
que sentem por mim
Fui na espécie errada
esta marca
de estrada
de caminho sem
fim
estou muito atento
ao que
me lembro
de poder
ser mais
um que
se apaga
dentro
do fogo
que morre
afogado
Este não,
sem sombra de dúvida
vai viver para sempre
e eu não viverei para sempre
serei de aluguel
uma peça no museu
de arte final
do
criador
rrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr
quarta-feira, 2 de setembro de 2015
Só

Eu pedi
à vida
que me
desse comida
de variadas formas
e fornos
para aquecer
o alimento
Não me formei
não me fiz
doutor
como ouros
nada pude
entender
daquilo tudo
que passou
era objetivo
queria agora
e não
me arrependo
A vida
me trouxe pão
e ilusão
trouxe vaga
lembrança
daquilo
em que espero
no lugar eterno
Não sinto
só
porque só eu
existo
em mim
Sózinho
nem sempre
e pior
que estar indiferente
frente
ao túmulo
que me aguarda
Sinto que fugi
e sei
que não vou
voltar
a tratar
deste assunto
deprimente
que é a
coisa mais linda
que tenho
quarta-feira, 26 de agosto de 2015
Palmira
Estive
em ruínas
todos estes anos
Olhavam
para mim
admiravam
me
Então fui descoberta
pelos capuzes negros
Voltaram-se
sobre mim
desnudaram meu
santuário
Fizeram uma feira
com meus
adereços
meus pequenos detalhes
entalhes
Cortaram tudo
de tudo tiraram
o que era de mim
E fui estuprada por
desdém
de quem acredita
num Deus
como eu acreditara
Morri
explodiram-me
e nada sobrou
Nunca antes
vivi
como agora
entulho jogado fora
peças vendidas por mercadores
e onde estão os
que me amavam?
Onde os que preservaram meu santuário?
Morta morta
Sou esquecida em um noticiário
e aqueles que
me mataram
Que a vingança do Deus
caia sobre eles
segunda-feira, 17 de agosto de 2015
Maldivas
Entre rios
entranhas
montanhas
de véus carregados
suados
do fardo
De descansar estrangeiros
que ligeiros
corrompem
esta fauna
humana
que se distancia
da ilha
de qual
falo
Esta mesmo
que
esta no fundo
do orgasmo
pacífico
mar
adentro
Entro
e me revelo
a esmo
no desejo
que tenho
de fotografar
o que vejo
no queixo
da minha linda
e enfadonha
vida
vivida
Banida
a vida
aqui esta
o que
mais trago
a oferta
deste trago
bebido gelado
do lado
da cadeira
no
fim
da vida
segunda-feira, 10 de agosto de 2015
Véu
Eu te encontro
fechada
entre
os bosques
Em capitéis
dourados
de seres
em tal
estado
que diria eu
que já morreram
Entre estes
o que me
chama a
a atenção
são
o de
lírios
defuntos
de mortos
em guerras
Estes sim
quiseram
algo
disseram algo
que não ouso dizer
Estão alí
naqueles
túmulos
entre lírios
e figueiras
e salvas
Estão
salvas
de morrer
de novo
Já se foram
E colocaram
neste mundo
um perfume
de alguém
que de ter nascido
disto
de alvenaria
destruida
de fogueira crepitante
enigma
de uma tarde
distante
de forma vazia
alternada
com o nada
alterada
ao ter nada
nada
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