quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Biblioteca

Obvious


Escondi-me
de mim mesmo

Há tempos
não me vejo

Saí de férias
com um livro
no bolso

Espairecer
 o
 pensamento

Concluí
um círculo
cíclico


Onde procurei o escondido
aparecer

Mas não o encontrei


Então

saí de férias
de mim mesmo

Não sei quando volto
talvez não volte mais

E ele 
ficaria escondido

naquele livro
prateado

do lado esquerdo
da estante

Distante
amará por mim
escondido
entre os papéis

que fizeram 
de si mesmo
alguém neste planeta


Assim
todos estão na estante
catalogados
numerados

Só um sobressai
para quem
o conheceu

O livro prateado
onde está escondido
o eu

mesmo
de mim
mesmo

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Doutor, o que eu tenho?

http://danvizi.wordpress.com


Olhe para mim
o que você vê?

Um olhar esperançoso
compassivo

Forte

Algo gostoso
de se aquecer


Volte-se para mim
aceite um conselho

É triste mas é belo

É tudo que posso lhe
dar

A tristeza continua
é triste mas é bela



A tristeza continua
e afunda
meu prazer

Eu luto contra você

Não sei o que sou
não sei o que será




Mas não vai morrer

Eu espero na escuridão
uma lâmpada
que absorva
este negrume

Talvez afunde mais e mais
em teu poço



Talvez me levem daqui
para um poço
mais profundo



Mas há sempre uma esperança,
descansa

Algo novo há
de vir

Que a dor passe
que o remédio da alma funcione

que a sincronicidade
coloque você
ao lado
do seu estado
mental

E a memória vagueie
em belas lembranças

que alcanças

Vai meu amigo
leva teu fardo
eu carrego o meu

Dividamos pois
o queijo 
o pão
e o vinho

A tarefa está cumprida



Vai, descansa

Você
está melhor

Obrigado Doutor
já me sinto bem

Uivo

http://ultradownloads.com.br
Eu tento
como um lobo

Fazer do lamento
uma forma de viver

Para que viver no lamento?

Digo sempre para mim mesmo

Não estou cansado

estou confuso

Eu uso de tudo
para me manter na fôrma

e a fôrma
me forma

destrói meu consôlo

de saber-me tolo

Pois só um tolo

gostaria de sofrer

Não quero sofrer

nem mesmo ser

Seria melhor
que não existisse

é tão triste

Para que viver?

Lámúrias
lamúrias
Uivos ao vento

Alvo indefinido
de tornar-me
alguém

que seja infeliz

sem ser preocupado

com a sensação
de que seria feliz
ausente o
 pensamento
no tempo

Só a fuga
em Dó 
menor

Só a música triste
de Satie


Independente da lamúria
estar no mundo

e fazer algo
para que seja
sentido

mesmo que seja
a dor

Aumente
por favor

aumente
a solidão

para eu servir
de arrimo
para quem está
sofrendo

Só no sofrimento
atinjo
algo

que me faz feliz

Feliz de ajudar
a quem não
tem ajuda
de ninguém

Um afago

um jeito estranho de juntar

este caco
que sou
com o caco
 que dou

Palavras
aumentem
aumentem

divulguem que
não sou só

que alguém me ouve no infinito

Ouço
a mim mesmo

Aflito
jogo tudo fora
é agora

que o mundo está acontecendo

e eu da minha maneira
peneiro
o que há por fazer

apenas crer


E uivo

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Desequilíbrio

energiaebiodiversidade.blogspot.com.br




Tamanha mudança nesta geometria
adia
o que está
por ai

Ver tudo
se mudar  
Véu do mundo cair


Cedo 



No serviço

tudo bonito

Traço
esmerado
é o que se espera

Do domínio 
da vida



Insisto naquilo que digo
equilíbrio

Pesado
amarrado

trabalhado


Pontas de areia
na vírgula da cama


Sentiriam-se traídos
por palavras vãs,
Sem nexo?

Seriam todas
as palavras vãs

se colocadas 

lado a lado


Temeriam ser jogadas fora

sem saber o que dizer


E outras atrocidades
na memória

relegadas 
a um canto
vazio

Canto este
que prefiro
não dizer
como atua

Pois de longe
se vê
 que as palavras 
não alcançam

o equilíbrio
que procuro
neste mundo

Escreve sem sentido
sentindo
ser sentido

Asim mesmo
a tristeza sente
este calor
amoroso
do verão quente
do Ártico

Tem sentido isto?

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Bailarino

NASA





Certo
que o mundo
se afasta

a uma 
velocidade
estonteante



rodopiando a esmo
com o auxílio
de mim mesmo

Que acompanho o rodopio

girando como
bailarino

Arrepio
quando vejo
luzes
ao relento


Lamento pelas estrelas
tão parecidas
com pirilampos

que rodopiam 
em outras voltas

em volta
deste espaço 
vazio


Aninho-me então
à amada

que como
uma fada
espalha o pó
da criação.

Com a respiração
em meu peito

aceito então
o rodopio

da dança
das estrelas
e crianças

Alcança meu temor
de ver

o amor
resplandecer

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Marte


NASA

Mare
Marti

2014

Tão sózinho você lá.

Eu quero estar contigo
lamento


Pois quando forem
serão muitos

Que criarão
uma 
Nova 



 Sociedade
que será o
 futuro 
da nossa
 vida aqui
na Terra


Serão altos
esbeltos

Eretos
pela
gravidade

fortes
magros

Serão de nós
mas não nós

E ao criarem sua história
de como nasceram da
Mãe Terra

Terão todos
os laços
do
espaço

para 
ir 
além
do confinamento
de nosso sistema

Sem 
fronteiras

Além de nós mesmos


segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Aranha



Aranha tece
um fio cabeludo
para quem
já viu
tudo

A teia caminha
fê-lo conjunto

delinha

os que permanecem 

ausentes


Nesta teia
infinita

Discuta
tudo
sobre o passado

reveja o amanhã


Espera na cansada
aurora

Esperando no
lago
onde a gota
faz o círculo

Esteve aqui antes
distante

Viu mares se afogarem
viu a terra suja
 estufa


Morreu


nasceu de novo


Outra Terra

Habilis

sem 

Homo

Sapiens
 


E continuou