segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Finados


E Lima



COMO VENTA NO DIA DE FINADOS
Os vivos
residem em casa
apartamentos.
Os mortos
habitam
os ventos.
Que são redemoinhos
senão coreografias
da alma dos bailarinos.
Almas estabanadas
derrubam copos,
eróticas
levantam vestes,
piedosas
batem sinos.
Ciclones
são maratonas

de almas Olímpicas
insones.
A alma dos soldados
mortos em guerra
súbito retorna
com a chuva de pedra.
Como venta no dia de finados!


                                                                           Luiz Coronel

sábado, 2 de novembro de 2013

Pássaros

Praia Brava Floripa


Uma Gaivota


Não faz 
Verão

Então
quantos 
pássaros

irão?


Ter contigo

ser amigo


Trazer
o ninho
e carinho


Antigo

Pré

Primário

Histórico


Como as aves
de rapina

na esquina

Trazendo Falcões
nas 
asas 
no 
Céu

Do

Oeste


Leste

gaivotas


Norte e Sul

Andorinhas


Placebo

Para
os remédios 
de 
Hoje?

Amanhã

será um novo

dia

Alergia
de Primavera

Flores
MIL

Pólen

sutil

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Praia Brava

Praia Brava Floripa


Praia Brava
Céu Azul

Por que brava
se é tão calma?

Azul do mar
Azul 
do Sul

Linda
permanece
ao Leste

como no começo
da 
criação
de
Adão

Hábil

NASA





Hábil
nas 
mãos do homem

Vai além
na
escuridão 
de 
Marte


Morte?

Não

Além
túmulo
o vazio
do espaço

Traço

voltas

perma

nentes

nas

mentes

O Caminho das pedras Capítulo 2 A aula


NASA



O processo de entendimento
do ser humano é uma
das coisas mais abstratas
que podemos pensar.

Acima mesmo do pretenso processo de Conhecimento de Deus.

Deus, na acepção Ocidental,
tem face,
tem atributos e atribuições
dados antes de você nascer.
por outros
que receberam
de outros.

Então,
nas Religiões Ocidentais,
damos simplesmente aforma ideal e a paternidade
a Ele,
e o resto
é aplacá-lo.

Entender o ser humano
é navegar no desconhecido
e recusar-se a aceitar uma imagem
pré-estabelecida.

É arriscadamente
e prazeirozamente
encontra nova
ampliação Fractal
do Universo conhecido,
aumentando e reduzindo,
no macro e micro
cosmo,
dentro e fora,
para formar padrões
possíveis
de serem comunicados.

-Prá quê?

-Como prá quê?

Você disse tudo 
e não disse nada.
Prá quê fazermos isto?

-Bem...é muito difícil de explicar,
eu próprio não entendo o porquê e prá quê.

Mas,
do ponto de vista psicológico
isto está ligado
ao processo de aprendizagem
e necessidade humana
de apreender,
o que o difere dos animais.

Nós vivemos aprendendo e comunicando o que apreendemos,
o que torna o aprendizado e a passagem
de conhecimento algo lúdico para os que o fazem..

Num certo sentido
se você não tivesse nenhum prazer
não estaria aqui aqui na sala de aula assim,
como eu também não estaria aqui
ensinando.

-Mas prá quê?

-Janaína, agente conversa depois da aula.

Ok?


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-Você tá doido!

-Poquê?, é a mesma pergunta
que você fez!

-Não, eu perguntei prá quê!

-Tá, você perguntou o para que fazemos isto
e eu pergunto a você por que me chamou de doido
Você acha que as duas perguntas tem sentido?

Eu tenho um prá quê,
eu faço isto.
E você?

Tem um porquê de me chamar de
doido??


Pai

Todo filho é pai da morte de seu pai.

Há uma quebra na história familiar onde as idades se acumulam e se sobrepõem e a ordem natural não tem sentido: é quando o filho se torna pai de seu pai.

É quando o pai envelhece e começa a trotear como se estivesse dentro de uma névoa. Lento, devagar, impreciso.

É quando aquele pai que segurava com força nossa mão já não tem como se levantar sozinho. É quando aquele pai, outrora firme e instransponível, enfraquece de vez e demora o dobro da respiração para sair de seu lugar.

É quando aquele pai, que antigamente mandava e ordenava, hoje só suspira, só geme, só procura onde é a porta e onde é a janela - tudo é corredor, tudo é longe.

É quando aquele pai, antes disposto e trabalhador, fracassa ao tirar sua própria roupa e não lembrará de seus remédios.

E nós, como filhos, não faremos outra coisa senão trocar de papel e aceitar que somos responsáveis por aquela vida. Aquela vida que nos gerou depende de nossa vida para morrer em paz.

Todo filho é pai da morte de seu pai.

Ou, quem sabe, a velhice do pai e da mãe seja curiosamente nossa última gravidez. Nosso último ensinamento. Fase para devolver os cuidados que nos foram confiados ao longo de décadas, de retribuir o amor com a amizade da escolta.

E assim como mudamos a casa para atender nossos bebês, tapando tomadas e colocando cercadinhos, vamos alterar a rotina dos móveis para criar os nossos pais.

Uma das primeiras transformações acontece no banheiro.

Seremos pais de nossos pais na hora de pôr uma barra no box do chuveiro.

A barra é emblemática. A barra é simbólica. A barra é inaugurar um cotovelo das águas.

Porque o chuveiro, simples e refrescante, agora é um temporal para os pés idosos de nossos protetores. Não podemos abandoná-los em nenhum momento, inventaremos nossos braços nas paredes.

A casa de quem cuida dos pais tem braços dos filhos pelas paredes. Nossos braços estarão espalhados, sob a forma de corrimões.

Pois envelhecer é andar de mãos dadas com os objetos, envelhecer é subir escada mesmo sem degraus.

Seremos estranhos em nossa residência. Observaremos cada detalhe com pavor e desconhecimento, com dúvida e preocupação. Seremos arquitetos, decoradores, engenheiros frustrados.

Como não previmos que os pais adoecem e precisariam da gente?

Nos arrependeremos dos sofás, das estátuas e do acesso caracol, nos arrependeremos de cada obstáculo e tapete.

E feliz do filho que é pai de seu pai antes da morte, e triste do filho que aparece somente no enterro e não se despede um pouco por dia.

Meu amigo José Klein acompanhou o pai até seus derradeiros minutos.

No hospital, a enfermeira fazia a manobra da cama para a maca, buscando repor os lençóis, quando Zé gritou de sua cadeira:

Deixa que eu ajudo.

Reuniu suas forças e pegou pela primeira vez seu pai no colo.

Colocou o rosto de seu pai contra seu peito.

Ajeitou em seus ombros o pai consumido pelo câncer: pequeno, enrugado, frágil, tremendo.

Ficou segurando um bom tempo, um tempo equivalente à sua infância, um tempo equivalente à sua adolescência, um bom tempo, um tempo interminável.

Embalou o pai de um lado para o outro.

Aninhou o pai.

Acalmou o pai.

E apenas dizia, sussurrado:

Estou aqui, estou aqui, pai!

O que um pai quer apenas ouvir no fim de sua vida é que seu filho está ali.

(Fabrício Carpinejar)

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