Penso em um ser interno,
um excluído,
brutalizado pelo ego
O imperialismo interno
é mais pesado
do que o externo
Faz de nós vítimas e algozes
Dentro da mesma caixa
craniana
Penso na atenção e no cuidado
daquele esfaimado
que na dor de não poder ser
entrelaça na cortina
o fio e a linha
Penso talvez
No desprezo
de quem se julga ser
Penso na altivez
na embriagues
do poder oculto
que o Verbo abomina
Penso precisamente na menina
naquela que quer dizer
Mais além de um não,
ou para depois
sim
Penso a dois
quarta-feira, 20 de abril de 2011
domingo, 10 de abril de 2011
Carregando as configurações pessoais
Quando abro meu computador, a primeira obra que aparece em minha tela pessoal, meu ser, é o carregamento das configurações pessoais.
Todo dia, inexoravelmente, minha tela se expande e absorve a maior parte do que de pessoal carrego, do que processei, trazendo com ela ícones para passagens interiores, algumas delas nunca navegadas.
Meu silencioso organismo, que de tempos em tempos,
pensando em estalidos,
muitas vezes tenta me ajudar, (ajudar?)
sugerindo que eu limpe automaticamente estas janelas
que não abro em minha configuração pessoal.
A tela absorve tudo que algum dia foi colocado por alguém.
Alguém que o criou, que me criou,
seja onto ou filogeneticamente.
Eu percebo em mim mesmo
a hesitação em entrar nestas janelas ignoradas.
O que poderiam me trazer de novo?
Seriam absurdamente pavorosas no meu desconhecimento de mim mesmo,
levando a programas inseridos,
que não conseguiriam comunicar
o que o ícone tão belamente apresenta no écran?
Olho sempre para os mesmos ícones,
imagens reveladas de meu inconsciente,
mas não ouso abri-los
Muitos dos que não abro, tenho conhecimento de onde me levam.
Mas não uso por puro descaso.
Há sistemas antigos e bem construídos, que utilizo freqüentemente, claro!
e que me enfadam no praticar a rotina da revelação diária.
Porque não abrir estes links, penso eu?
Porque seria absurdo ter que realmente renovar meu sistema,
trazer novas tarefas a este processador tão estressado?
No último ponto de seu estoque de memória
e defasado em anos na velocidade da nova geração?
Subtraio-me ao próprio sistema que me formatou,
ao não utilizar o que foi colocado.
Não porque foi colocado,
mas porque está ali,
e o fato de estar aí traz para mim
o desejo oculto
de revelar
o que faço
quando carrego
minha configuração pessoal.
Se não fosse este desejo de mudança,
por que mudaria tão freqüentemente
meu tema de plano de fundo?
“Um tema é um plano de fundo e um grupo de sons, ícones e outros elementos que o ajudam a personalizar o computador em um só clique”
Meu computador inconscientemente me responde.
Em propriedade.
No absurdo de ser
Mais consciente do que eu
Revela então neste diálogo de esfinge
E tenta me induzir a pensá-lo como ser
Não como coisa
A tela mental abre-se em mim
Buber
Buber, Martin
Não preciso a Wikipedia para
Acessá-lo
Seu ser está em mim
Em outro espaço-tempo
Em outra direção
De configuração
No hiperlink espacial
Buber é Buber?
Ou a representação de Buber?
Buber é o que deixou
ou o que
Está-aí?
Sinto o drama
Ecoa do coro
Grego
Da tragédia primeva
Onde o processador zune
Ops...
Abri o hiper-link
Devo fechá-lo logo
Antes que as Galáxias e constelações elementares
De um suposto arquétipo
De um suposto códice
De um suposto
Jung
Revele novamente a distração
Entre ser e existir
No sábio conforto da casa
Midle class
Da família burguesa
Da infinita sociedade moderna
Finita no tempo de hoje
Reproduzindo a modernidade
De cem anos atrás
Contemporânea como as pirâmides
Na promiscuidade de idéias
De um tempo não gerado
UFFFFFFF
Sensentido
Sentei-me ao objeto cadeira
Tão equilibrado na explicação de matéria e objeto
Dos filósofos de plantão
Plantão eu disse
Não Platão
Absurdos pensam vocês
Vocês lêem realmente o que escrevo?
Claro1
Digo: !
Disse isto de 1 por lampejo de 1
Ou porque escorreguei a mão?
Ato falho
Ou o ato falho é de quem criou o teclado?
Ao criar o 1 com !
Junto com o ¹
na mesma tecla ??/°
Caso contrário,
(casos contrários teimam meu revisor...)
não teriam chegado a este ponto.
Mas aonde iriam afinal daqui para frente
Para o poente e o ocaso da crítica?
Para a determinação de clicar no ícone e fechar a abertura do
Link/?°
Tenho duvidas...
-Você também tem dúvida?
Ótimo!
Somos dois, mas o autor esta no meio
Como diria Buber
-Buber novamente...
-E ele era filósofo
Veja na Wikipédia
É fácil acessar...
Click neste botão direito e ausente-se por um espaço-tempo
Algo indescritível
Quando há ausência de espaço e tempo
Tentando discriminar
O que é nonsense
Crítica da pura razão
Na aparente falta de racionalidade
Num texto tão profundamente
Pró
Funda
A mente
absurdo
Há não ser que viole
Tenha tido acesso
Ou interesse pelo menos
Em acessar
Minha configuração pessoal
-Clicou?
Basta
Já nos vemos amanhã
Porque esta manhã nasceu em um domingo
Que é um dia especial
Disse o dramaturgo da novela
Disse isto porque domingo não tem novela,
coisa louca que diz tudo
e esconde de todos o que diz
Trás em ti
Esta potência de afirmar
Que a crítica do autor
Ausenta o autor
Da crítica?
Trás o absurdo de ser sincero
Fazendo gargalhadas
E piruetas
No ar
Em voz e palavras que não contém
No âmago
Algo que só pode ser traduzido
Por dentro do meio?
-Crítica sincera penso eu
Dialogando com mim mesmo...
Como poderia o absurdo de um écran vazio.
Num hiperlink desgovernado
Sem uma tabela de algoritmos
Trazer uma identificação no outro que
Traduz o escrito em sua tela mental
E procura
Decifrar o que está exposto com alguma razão?
-não há razão sofrida
que não vivida
Não traga razão
Ao irracional.
Pudera que dialogas comigo neste imaginável espelho virtual
Será tu capaz de contemplar a esfinge?
Teria você contemplado o mistério da esfinge
E saído vivo para salvar Tebas?
Teria então carregado em si
A tragédia mundana
E criado na vida
Teu próprio espetáculo emblemático
Trazendo a tua esfinge pessoal
O ícone de brilhar em uma tela fugidia...
-Estou pensando senhor criador,
por favor, não faça tantas perguntas
-Com quem então dialogaria
Meu caro computador?
Excesso de dados-
Impossível...
Confirmação...
de lógica congruente
Silêncio da manhã de abril
Retorno a configuração original.
Lentamente
Desenvolve-se o retorno
À configuração padrão
Na tela exprimida
Se expande a imagem do planeta
Visto da janela
Da estação espacial
Hesito em desligar
Pois para desligar tenho que teclar
Iniciar
--------------------- --- --- ---- --- -- -- -0101111111111111000000000110101010000111111001011111000010101010010101010101010100000110101111111000101111010100001010101000000101010101000010101011110010111010001011101010101010010101110101000010101010101010101010101000101010101010101111110001010101010110101010101001010101001010101010010101011001010100101010101010101001010100101001010111010101010101000101111010101010101010100100101010100101010101010100101010101010101010101010111011111000001010101010101000
Quando abro meu computador, a primeira obra que aparece em minha tela pessoal, meu ser, é o carregamento das configurações pessoais.
Todo dia, inexoravelmente, minha tela se expande e absorve a maior parte do que de pessoal carrego, do que processei, trazendo com ela ícones para passagens interiores, algumas delas nunca navegadas.
Meu silencioso organismo, que de tempos em tempos,
pensando em estalidos,
muitas vezes tenta me ajudar, (ajudar?)
sugerindo que eu limpe automaticamente estas janelas
que não abro em minha configuração pessoal.
A tela absorve tudo que algum dia foi colocado por alguém.
Alguém que o criou, que me criou,
seja onto ou filogeneticamente.
Eu percebo em mim mesmo
a hesitação em entrar nestas janelas ignoradas.
O que poderiam me trazer de novo?
Seriam absurdamente pavorosas no meu desconhecimento de mim mesmo,
levando a programas inseridos,
que não conseguiriam comunicar
o que o ícone tão belamente apresenta no écran?
Olho sempre para os mesmos ícones,
imagens reveladas de meu inconsciente,
mas não ouso abri-los
Muitos dos que não abro, tenho conhecimento de onde me levam.
Mas não uso por puro descaso.
Há sistemas antigos e bem construídos, que utilizo freqüentemente, claro!
e que me enfadam no praticar a rotina da revelação diária.
Porque não abrir estes links, penso eu?
Porque seria absurdo ter que realmente renovar meu sistema,
trazer novas tarefas a este processador tão estressado?
No último ponto de seu estoque de memória
e defasado em anos na velocidade da nova geração?
Subtraio-me ao próprio sistema que me formatou,
ao não utilizar o que foi colocado.
Não porque foi colocado,
mas porque está ali,
e o fato de estar aí traz para mim
o desejo oculto
de revelar
o que faço
quando carrego
minha configuração pessoal.
Se não fosse este desejo de mudança,
por que mudaria tão freqüentemente
meu tema de plano de fundo?
“Um tema é um plano de fundo e um grupo de sons, ícones e outros elementos que o ajudam a personalizar o computador em um só clique”
Meu computador inconscientemente me responde.
Em propriedade.
No absurdo de ser
Mais consciente do que eu
Revela então neste diálogo de esfinge
E tenta me induzir a pensá-lo como ser
Não como coisa
A tela mental abre-se em mim
Buber
Buber, Martin
Não preciso a Wikipedia para
Acessá-lo
Seu ser está em mim
Em outro espaço-tempo
Em outra direção
De configuração
No hiperlink espacial
Buber é Buber?
Ou a representação de Buber?
Buber é o que deixou
ou o que
Está-aí?
Sinto o drama
Ecoa do coro
Grego
Da tragédia primeva
Onde o processador zune
Ops...
Abri o hiper-link
Devo fechá-lo logo
Antes que as Galáxias e constelações elementares
De um suposto arquétipo
De um suposto códice
De um suposto
Jung
Revele novamente a distração
Entre ser e existir
No sábio conforto da casa
Midle class
Da família burguesa
Da infinita sociedade moderna
Finita no tempo de hoje
Reproduzindo a modernidade
De cem anos atrás
Contemporânea como as pirâmides
Na promiscuidade de idéias
De um tempo não gerado
UFFFFFFF
Sensentido
Sentei-me ao objeto cadeira
Tão equilibrado na explicação de matéria e objeto
Dos filósofos de plantão
Plantão eu disse
Não Platão
Absurdos pensam vocês
Vocês lêem realmente o que escrevo?
Claro1
Digo: !
Disse isto de 1 por lampejo de 1
Ou porque escorreguei a mão?
Ato falho
Ou o ato falho é de quem criou o teclado?
Ao criar o 1 com !
Junto com o ¹
na mesma tecla ??/°
Caso contrário,
(casos contrários teimam meu revisor...)
não teriam chegado a este ponto.
Mas aonde iriam afinal daqui para frente
Para o poente e o ocaso da crítica?
Para a determinação de clicar no ícone e fechar a abertura do
Link/?°
Tenho duvidas...
-Você também tem dúvida?
Ótimo!
Somos dois, mas o autor esta no meio
Como diria Buber
-Buber novamente...
-E ele era filósofo
Veja na Wikipédia
É fácil acessar...
Click neste botão direito e ausente-se por um espaço-tempo
Algo indescritível
Quando há ausência de espaço e tempo
Tentando discriminar
O que é nonsense
Crítica da pura razão
Na aparente falta de racionalidade
Num texto tão profundamente
Pró
Funda
A mente
absurdo
Há não ser que viole
Tenha tido acesso
Ou interesse pelo menos
Em acessar
Minha configuração pessoal
-Clicou?
Basta
Já nos vemos amanhã
Porque esta manhã nasceu em um domingo
Que é um dia especial
Disse o dramaturgo da novela
Disse isto porque domingo não tem novela,
coisa louca que diz tudo
e esconde de todos o que diz
Trás em ti
Esta potência de afirmar
Que a crítica do autor
Ausenta o autor
Da crítica?
Trás o absurdo de ser sincero
Fazendo gargalhadas
E piruetas
No ar
Em voz e palavras que não contém
No âmago
Algo que só pode ser traduzido
Por dentro do meio?
-Crítica sincera penso eu
Dialogando com mim mesmo...
Como poderia o absurdo de um écran vazio.
Num hiperlink desgovernado
Sem uma tabela de algoritmos
Trazer uma identificação no outro que
Traduz o escrito em sua tela mental
E procura
Decifrar o que está exposto com alguma razão?
-não há razão sofrida
que não vivida
Não traga razão
Ao irracional.
Pudera que dialogas comigo neste imaginável espelho virtual
Será tu capaz de contemplar a esfinge?
Teria você contemplado o mistério da esfinge
E saído vivo para salvar Tebas?
Teria então carregado em si
A tragédia mundana
E criado na vida
Teu próprio espetáculo emblemático
Trazendo a tua esfinge pessoal
O ícone de brilhar em uma tela fugidia...
-Estou pensando senhor criador,
por favor, não faça tantas perguntas
-Com quem então dialogaria
Meu caro computador?
Excesso de dados-
Impossível...
Confirmação...
de lógica congruente
Silêncio da manhã de abril
Retorno a configuração original.
Lentamente
Desenvolve-se o retorno
À configuração padrão
Na tela exprimida
Se expande a imagem do planeta
Visto da janela
Da estação espacial
Hesito em desligar
Pois para desligar tenho que teclar
Iniciar
--------------------- --- --- ---- --- -- -- -0101111111111111000000000110101010000111111001011111000010101010010101010101010100000110101111111000101111010100001010101000000101010101000010101011110010111010001011101010101010010101110101000010101010101010101010101000101010101010101111110001010101010110101010101001010101001010101010010101011001010100101010101010101001010100101001010111010101010101000101111010101010101010100100101010100101010101010100101010101010101010101010111011111000001010101010101000
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011


Pegadas
Em um tempo antigo
Muito diferente
de hoje
Porém
tão próximo de nossa existência
Pegadas familiares
conservadas nas cinzas de um vulcão
em Laetoli, Kenya
"Queridos descendentes nossos,
Obrigado por nos colocarem em sua história
Desejamos que permaneçam nesta vida
muito mais do que permanecemos
Que esta nova evolução em nossa família
deixe belas marcas no lindo planeta"
Lucy
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

A HISTÓRIA DA FORMIGUINHA
Foi assim...
Num tempo bem distante, lá pelo começo dos anos 80, estava eu a procura do primeiro Ácido Lisérgico. Fiquei uns dois anos esperando que alguém me apresentasse o “tar do ácido” até que um dia meu amigo disse que tinha encontrado um canal, e compramos.
Saímos naquele sábado em direção a praia, eu, meu amigo e mais duas amigas em um Fiat 147.
Horas de viagem, passando por praias lindas indo para Maresias, nosso local escolhido.
Maresia naquela época não tinha estrada. Nós fomos pelas praias, passando de tempos em tempos por pequenas saídas de riachos que desembocavam no mar. Em uma delas, na passagem do carro entrou água no motor e molhou as velas...
Um tempão para conseguir fazer o 147 funcionar!
Quando chegamos enfim a Maresias e tomamos o ácido a viagem começou.
Ficamos juntos por um tempo e depois cada um foi para um lugar sozinho passear.
Eu fui o último a sair de debaixo da árvore em que estávamos depois de muito tempo viajando de olhos fechados.
Vinham lembranças alucinadas de infância, principalmente de meu avô, mas eram coisas bem gostosas.
Quando finalmente saí de debaixo da árvore caminhei até a praia e me sentei em uma duna aonde a vegetação começava a acabar e a areia a dominar.
Fiquei lá por muito tempo, observando o céu e o mar, as montanhas em volta da praia e a beleza toda do lugar.
De repente comecei a fazer um buraco na areia, bem perto das últimas plantas.
Fiz como na minha infância, quando construía castelos na areia.
Um buraco simples, uns dois palmos de fundura, na areia seca e úmida mais para baixo.
Lá estava eu viajando naquele buraco quando passou uma formiguinha, que sem se importar com o buraco a frente entrou por um lado, passou até o fundo e começou a subir pelo outro lado.
Eu, como criança malvada, antes da formiguinha sair do buraco empurrei um pouco de areia.
A formiguinha escorregou para o fundo do buraco e incontinente e valente começou a subir de lá.
Fiz outra vez. A formiguinha caiu e começou a subir.
Fiz mais e mais vezes viajando na formiguinha (ou viajando que era um deus?)
Colocava a formiguinha no buraco empurrando a areia logo antes de ela acabar por sair.
A valente formiguinha nem fazia conta e punha-se a subir
Outras vezes experimentei de soterrar a formiguinha, e ela, formidável formiguinha, conseguia se desvencilhar daquele humano tolo, saia do fundo da areia recomeçava a subir novamente.
Um momento percebi que conversava com a formiguinha e senti que a amava muito.
Disse para ela; vai formiguinha... e a formiguinha pegou e saiu do buraco e continuou sua labuta, provavelmente dizendo Ufa!!
Por muitos anos pensei na formiguinha quando eu mesmo caí no buraco das alucinações espontâneas dos flashbacks.
Cada vez em que estava para sair do buraco parecia que escorregava e caia de novo.
Deus não é como os deuses humanos.
Um dia ele me tirou do buraco.
E eu, a formiguinha, continuo na labuta dizendo
UFA!!!
Foi assim...
Num tempo bem distante, lá pelo começo dos anos 80, estava eu a procura do primeiro Ácido Lisérgico. Fiquei uns dois anos esperando que alguém me apresentasse o “tar do ácido” até que um dia meu amigo disse que tinha encontrado um canal, e compramos.
Saímos naquele sábado em direção a praia, eu, meu amigo e mais duas amigas em um Fiat 147.
Horas de viagem, passando por praias lindas indo para Maresias, nosso local escolhido.
Maresia naquela época não tinha estrada. Nós fomos pelas praias, passando de tempos em tempos por pequenas saídas de riachos que desembocavam no mar. Em uma delas, na passagem do carro entrou água no motor e molhou as velas...
Um tempão para conseguir fazer o 147 funcionar!
Quando chegamos enfim a Maresias e tomamos o ácido a viagem começou.
Ficamos juntos por um tempo e depois cada um foi para um lugar sozinho passear.
Eu fui o último a sair de debaixo da árvore em que estávamos depois de muito tempo viajando de olhos fechados.
Vinham lembranças alucinadas de infância, principalmente de meu avô, mas eram coisas bem gostosas.
Quando finalmente saí de debaixo da árvore caminhei até a praia e me sentei em uma duna aonde a vegetação começava a acabar e a areia a dominar.
Fiquei lá por muito tempo, observando o céu e o mar, as montanhas em volta da praia e a beleza toda do lugar.
De repente comecei a fazer um buraco na areia, bem perto das últimas plantas.
Fiz como na minha infância, quando construía castelos na areia.
Um buraco simples, uns dois palmos de fundura, na areia seca e úmida mais para baixo.
Lá estava eu viajando naquele buraco quando passou uma formiguinha, que sem se importar com o buraco a frente entrou por um lado, passou até o fundo e começou a subir pelo outro lado.
Eu, como criança malvada, antes da formiguinha sair do buraco empurrei um pouco de areia.
A formiguinha escorregou para o fundo do buraco e incontinente e valente começou a subir de lá.
Fiz outra vez. A formiguinha caiu e começou a subir.
Fiz mais e mais vezes viajando na formiguinha (ou viajando que era um deus?)
Colocava a formiguinha no buraco empurrando a areia logo antes de ela acabar por sair.
A valente formiguinha nem fazia conta e punha-se a subir
Outras vezes experimentei de soterrar a formiguinha, e ela, formidável formiguinha, conseguia se desvencilhar daquele humano tolo, saia do fundo da areia recomeçava a subir novamente.
Um momento percebi que conversava com a formiguinha e senti que a amava muito.
Disse para ela; vai formiguinha... e a formiguinha pegou e saiu do buraco e continuou sua labuta, provavelmente dizendo Ufa!!
Por muitos anos pensei na formiguinha quando eu mesmo caí no buraco das alucinações espontâneas dos flashbacks.
Cada vez em que estava para sair do buraco parecia que escorregava e caia de novo.
Deus não é como os deuses humanos.
Um dia ele me tirou do buraco.
E eu, a formiguinha, continuo na labuta dizendo
UFA!!!
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